Ramo de arruda

espanta mau

olhado. Sabia?

 

 

Pelo sim, pelo não, botei um raminho de arruda sobre a orelha esquerda.

Não é que tenha receio de crenças folclóricas ou qualquer tipo de superstição.

É que o nome da inofensiva plantinha entrou na mídia pra valer nos últimos dias.

Começou com a moça do vestidinho rosa choque, na grande São Paulo, e foi respingar em Brasília.

Respingar é maneira de dizer, porque o que aconteceu na ‘Bras-ilha da Fantasia’ foi muito mais que merda no ventilador.

Foi, digamos assim, todo o esgoto da capital federal, ou melhor, do distrito inteiro, jogado contra um imenso ventilador.

A moça da Uniban já declarou, em nota oficial, que não tem nenhum parentesco com o governador distrital.

Aí, corri para o telefone e liguei para todos os arrudas que conheço. Aliás, quatro deles jornalistas de mão cheia. Também negaram parentesco com o governador do DF.

Na verdade, eu já sabia. Mas é que nessas horas a gente entra em pânico. Sabe como é que é, né? Depois de ver cenas tão chocantes como as exibidas por todas as redes de televisão – dinheiro na cueca, na meia, oração por propina recebida... – não tem quem não perca o controle e não entre em parafuso.

Então pensei: melhor colocar um raminho bem discreto de arruda na orelha para, como reza a crendice popular, não ser afetado por escândalos tão contundentes quanto bizarros, como os que acontecem por aqui semana sim, semana também.

A outra orelha - a da direita - reservei para colocar uma folha de orégano, para o caso de, mais uma vez, tudo acabar em pizza.

Aliás, disseram-me - não me lembro quem, nem quando - que a folha de orégano tem o incrível poder de proteger-nos das tentações da carne e das fraquezas de caráter.

Gente, não é por nada não. Acontece que, inadvertidamente, lembrei-me da célebre frase do Sérgio Porto, também conhecido por Stanislaw Ponte Preta: “Ou restaure-se a moralidade ou lucopletemo-nos todos”.

É que grande parte dos excluídos das mamatas e sinecuras sofrem de comichão quando vêem cenas de corrupção explícita como as que têm sido reveladas desde que os japoneses inventaram as tais microcâmeras.

Pelo sim, pelo não, é melhor colocar raminho de arruda com folha de orégano nas duas orelhas. E já!

 

Agora minha luta

é a demolição  do

fator previdenciário

 

Tem uns cinco anos que prometi a um amigo que derrubaria o fator previdenciário, o maior crime já cometido contra a classe trabalhadora deste país desde o seu descobrimento.

Dediquei bom tempo à preparação de um dossiê sobre o cruel instrumento que pouca gente tem em mãos. Ele foi aprovado no finalzinho de 1999, meio às escuras, sancionado por FHC e respaldado pelo Judiciário, que derrubou todas as Adins (ações diretas de inconstitucionalidade impetradas contra ele). Naquela época, 10 anos atrás, o Executivo já manipulava os demais poderes, como é hoje e como será sempre.

Mas como cumprir minha promessa, se não detenho poder algum?

Não importa!  Engajei-me na luta a partir de uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) que tramitava no Senado e onde foi aprovada.

O mais engraçado nessa história toda é que o PT era radicalmente contra a medida. Hoje no poder, é favorável à sua manutenção.

A partir daí, tenho, diariamente, disparado e-mails para todos os lados. Devo ter escrito a mais de 100 deputados, a senadores e ministros, a partidos políticos, ao presidente da República, a analistas, comentaristas e editorialistas de jornais e a redes de televisão Brasil afora.

Tenho postado alguma coisa aqui neste espaço, mas muito pouco em relação ao que tenho escrito.

E tenho escrito em causa própria, claro, porque sou um entre milhões de trabalhadores do setor privado que foram ou serão roubados em seus já minguados benefícios, enquanto servidores públicos continuam nadando de braçada.

Não quero aqui demonizar os trabalhadores do setor público, mas a verdade é que o sistema é injusto porque desigual ou desigual porque injusto, tanto faz.

A média dos benefícios pagos pelo INSS beira os R$ 700,00 ao mês, enquanto a média paga a servidores públicos, considerando os três poderes federais, é superior a esse valor em pelo menos 10 vezes.

Tenho esperança, sim, de que o fator previdenciário seja demolido, agora na Câmara dos Deputados, como já foi no Senado.

E minha esperança é que sua queda dê início à verdadeira reforma da previdência, aquela feita com competência, sensibilidade e senso de justiça.

Chega de remendos malfeitos, como o fator, que só atingem a parte mais vulnerável, uma minoria cuja imensa maioria nem sabe o que está acontecendo ou o que arquitetam contra ela nos bastidores do poder ou mesmo às claras.

 

Até a próxima.

 

O massacre dos inocentes

 

Vou-lhes contar uma breve história de um homem simples.

Meu pai começou a trabalhar aos cinco anos de idade, na roça, ajudando meus avós nos cafezais paulistas, onde trabalhavam como colonos.

Trabalhou até os 75 anos de idade; morreu aos 82 anos faz cinco anos, em São Paulo, morando com minha irmã.

Trabalhou durante 70 anos e sua aposentadoria não cobria os gastos com os medicamentos que precisava tomar diariamente. Eu e minha irmã custeávamos um plano de saúde desses mais baratos e o que faltava para comprar os remédios.

Foi assim. Tão simples assim, como milhões de outras histórias de outros homens e mulheres deste tão maravilhoso quanto desigual país.

Estou indo pelo mesmo caminho, seguindo os passos de meu falecido pai. Não em tudo, claro, mas principalmente enquanto beneficiário do INSS.

Comecei a trabalhar aos 10 anos, ajudando meu pai em seu viveiro de mudas de café; aos 14 anos consegui meu primeiro emprego com carteira assinada, a Carteira de Trabalho do Menor. Foi em julho de 1968, época em que menor podia trabalhar e tinha até carteira de trabalho específica.

Foram quase 38 anos de contribuição ao INSS, quando, em 2006, fui obrigado a pedir minha aposentadoria em razão do desemprego. Perdi quase 40% do benefício a que teria por causa de um instrumento cruel adotado em 1999, o famigerado fator previdenciário.

Nisso, tive ainda menos sorte que meu falecido pai, porque, aos 56 anos - e desempregado há três anos - mal tenho conseguido pagar o plano de saúde – co-participativo - e os medicamentos que tomo diariamente para controlar a hipertensão e a síndrome do pânico que venho administrando como posso há quase 20 anos.

Não é nenhum grande drama comparado a muitos que conheço.

Mas acontece que ainda nem entrei na terceira idade, por isso temo uma futura velhice ainda pior que a de meu pai, cujo benefício nem cobria as despesas com os remédios.

Tem milhões como eu por esse Brasil afora, pessoas que temem a chegada da velhice, mas não porque ficar velho seja uma coisa ruim, e sim porque o velho é discriminado, principalmente o velho que trabalhou no setor privado. É discriminado pelo mercado de trabalho (às vezes serve para porteiro de edifícios em condomínio não muito exigentes); é discriminado pela sociedade, notadamente pelos mais jovens, e é discriminado pelas autoridades governantes.

Quando chega o momento de ampará-lo viram-lhes as costas, como está acontecendo no presente momento, por ocasião das discussões acerca do fim ou da manutenção do fator previdenciário ou de qualquer outra regra que venha para amputar benefícios já tão minguados como os dos trabalhadores do setor privado.

Somos só vinte e poucos milhões, pouco mais de 10% da população. Somos, portanto, uma minoria discriminada e massacrada. A imensa maioria dessa minoria nem tem noção do que esteja acontecendo, do que estão arquitetando contra ela.

É uma minoria indefesa. Não há uma ONG sequer – a não ser as de caráter assistencialista – preocupada com esse bando de discriminados e massacrados, já chamados até de vagabundos por um governante.

Não tenho mais esperanças. E até acredito que, no ritmo que as coisas vão, não vai ser surpresa se aparecer alguém propondo o extermínio dos aposentados para acabar com o ‘rombo’ da Previdência. 

Luiz Carlos Lorencetti – Londrina-Pr.

(Texto publicado hoje na edição online do Estadão, na coluna Fórum dos Leitores)

 

Encaminhei a um dos editorialistas do Estadão, os três comentários abaixo, publicados na edição online do jornal, e os reproduzo aqui para os meus dois leitores assíduos. O editorial do centenário jornalão tem o seguinte título: "Decisão imprevidente". É um excelente exemplo de como, às vezes, a imprensa comete equívocos escabrosos.

 

Luiz Carlos Lorencetti em 20/11/09 ás 10:53
Imprevidência
Senhor editorialista, a maneira mais fácil de acabar com a fome é exterminar os famintos. Certo?
Nessa linha de raciocínio, concluímos que para dar cabo ao 'rombo' da Previdência, que aliás é bastante discutível, deveríamos exterminar os aposentados, notadamente aqueles que ganham umas quirerinhas a mais que o salário mínimo. Não é?
Então, vamos ao que interessa:
O governo não está, nem um pouco, preocupado com o déficit das contas públicas. E você sabe disso melhor que eu, pois deve ser melhor informado. Está preocupado apenas com o déficit do regime geral da Previdência, enquanto o rombo da pública cresce em absoluto silêncio. E você sabe que a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, né?
Como não disponho do espaço que você tem - e deve ter conquistado por méritos - não vou conseguir rebater ponto por ponto as suas colocações. Aliás, só concordo num ponto: a fraqueza moral - não é eleitoral não - dos deputados.
O fator previdenciário é um mecanismo de crueldade ímpar. Só quem é vítima dele sabe.
Também acho que deva haver mudanças, mas é preciso fazê-las com competência e senso de justiça, valores que não encontramos na área publica.
Acabou meu espaço.


 

Luiz Carlos Lorencetti em 20/11/09 ás 12:23
Caro editorialista,
acredito ter o necessário bom-senso para entender que mudanças são necessárias e inadiáveis, mas que envolvam todo o sistema, o público e o privado.
E tenho até sugestões:
1 - O teto único para todos os tralhadores (acho até que já foi adotado em 2003, mas só para os servidores entrantes);
2 - A contribuição pelo valor integral do salário também para os trabalhadores do setor privado;
3 - a continuidade da contribuição prividenciária para os que se aposentarem por tempo de contribuição antes dos 65 anos de idade.
O que me angustia é a abissal diferença de tratamento entre os dois regimes e que você, aliás, conhece melhor que eu.
A crueldade do fator está no fato de ter atingido os trabalhadores na ativa, sem qualquer consideração em relação, por exemplo, ao tempo que já haviam contribuido. Há casos em que direitos adquiridos, quando não se trata de privilégios, têm de ser respeitados sim. O que não aconteceu com a edição do fator.
Não vou convencê-lo, nem é minha intenção.
Mas acontece que há um drama humano por detrás dos números oficialescos nada confiáveis, produzidos em gabinetes suntuosos.
A caixa preta precisar ser escancarada!
Faça sua parte!

 

 

 

Luiz Carlos Lorencetti em 20/11/09 ás 12:54
Desculpe a minha insistência, mas acontece que sou prolíxo e o espaço é exíguo.
Sei que o guarda-chuva tá ficando pequeno pra tanta gente, mas há remendos temporais e reformas profundas. Qual você prefere?
Na iniciativa privada, quando o fluxo de caixa anda mal das pernas, o empresário incompetente demite, corta cafezinho, água e benefícios; o competente vai em busca de mercado e investe para manter-se saudável, operante, perene no mercado.
Na área pública, não há dinheiro que chegue. Não é isso? E por que? Você sabe e eu também sei:
INCOMPETÊNCIA!!!
Por que, por exemplo, o governo não facilita as contratações, a abertura de empresas, a ampliação do mercado formal de trabalho? Só fala, mas não faz.
No Brasil, gerar emprego chega a ser um ato de insanidade, em razão da burocracia e da voracidade governamental.
É, meu amigo, pagamos caro para viver neste maravilhoso país.
E nós, os aposentados, estamos pagando por uma conta que não geramos. Claro, nós e toda a sociedade. Só que vão apertando os mais indefesos.

Difícil defender isso ou aquilo, não é?

 

Acabar com o ‘rombo’ da Previdência massacrando os aposentados é o mesmo que exterminar os famintos para acabar com a fome.

 

O Estado é um grande e generoso empregador; as aposentadorias do setor público são geralmente nababescas e têm rombo muito maior que o do regime geral – leia-se INSS.

Pois é! Mas mexeram – governo FHC – justamente na parte miserável da previdência, a dos trabalhadores do setor privado, aqueles vinte e poucos milhões que recebem em média pouco mais de um salário mínimo. O que quer dizer que a imensa maioria, dois terços, recebe apenas um salário mínimo de benefício.

Criaram um mecanismo cruel e sanguinário chamado fator previdenciário, que também poderia ser chamado de fator de desigualdade. Ele amputa os benefícios daqueles que contribuíram por 35 anos ou mais e pedem a aposentadoria antes dos 65 anos de idade. Não era assim até 1999, mas o governo FHC mudou a regra do jogo para os que já estavam jogando. Ou seja, no meio da partida o juiz soou seu apitou e avisou: agora não tem mais impedimento, nem falta. E salve-se quem puder.

A queda do fator previdenciário foi aprovada no Senado e está em discussão na Câmara. Mas o governo lulo-petista, que era contra a sua adoção pelo governo FHC, agora quer a sua manutenção.

É claro, né! Os petistas estão todos empregados no serviço público.

Tenho escrito quase que diariamente a jornais de circulação nacional e a parlamentares da nossa base, colocando minha posição sobre o famigerado fator previdenciário, o mais cruel dos crimes cometidos contra o trabalhador brasileiro.

Sou vítima do fator e vou lutar contra ele enquanto puder.

E quem não concordar que se manifeste.

Os que concordarem também podem se manifestar, claro.

Até mais.

 

“Procure me amar quando

eu menos merecer,

porque é quando mais preciso”.

 

O provérbio acima, tido como de origem sueca, tirei de um desses imãs de geladeira que minha filha Moema deixou para trás quando saiu de casa em busca de seu caminho na vida. Faz uns seis anos que ela ganhou asas. Foi fazer pós-graduação fora; depois viveu um ano na Austrália, estudando e trabalhando; outros quatro anos em Salvador, onde decolou na profissão, e agora está aqui pertinho, em São Paulo, para alívio de ‘pops e mamys’.

Bem, até aqui, a coisa não faz muito sentido. Aliás, nem é para fazer mesmo.

Acontece que, aos 56 anos, estou começando - imagino eu, claro - a aprender a viver, porque sempre há a possibilidade de equívocos.

Estou, por exemplo, dando mais valor às coisas mais simples, como um forte aperto de mão, um abraço carinhoso, generosidade, solidariedade e sobretudo amizade, entre otras cositas cafonas ou démodés nos dias de hoje.

Por isso, talvez, só agora o velho e desbotado imã que Moema deixou na porta da geladeira de casa tenha chamado minha atenção. Gostei dele. Só isso.

Comentei com um amigo sobre o provérbio e ele tascou:

- Coisa de boióla!

Pode ser. Não tem problema. Boiolice ou não, vou tentar levá-lo à pratica no meu dia-a-dia. Vai-me fazer bem, sem dúvida.

Vou amar você quando você menos merecer. E também quando você mais merecer. Porque amar é preciso, em qualquer circunstância.

Em breve estarei de volta com novas boiolices. 

 

O vestidinho rosa e

a tanguinha de crochê

 

Estou me preparando para voltar aos bancos escolares.

Depois do sucesso da Geisy Arruda na mídia (a moça deve ser inclusive capa de uma famosa revista masculina), senti-me animado a retornar à faculdade, qualquer que seja ela e qualquer que seja o curso.

O importante é estar numa universidade e, de vez enquando, aparecer na escola vestindo só uma tanguinha de crochê. Aliás, a tanguinha de crochê já tem precedente; deixou alguém famoso em tempos idos.  

Meu único receio é que depois do fato envolvendo a moça do vestidinho rosa – e sua repercussão - ninguém vai dar a mínima para um homem de meia idade, trajando tanguinha de crochê em sala de aula.

A súbita fama da moça, humilhada pelos colegas e pela universidade em que estuda, deverá render-lhe uns bons trocados. Tudo, claro, vai depender das suas intenções. Se posar para a Playboy – e eu, no lugar dela, posaria – leva uma grana preta.

E tudo isso graças a uma mídia sequiosa por escândalos!

Ora, escândalos é o que mais temos neste país. E escândalos bem mais escandalosos, que nascem e crescem aos borbotões em todas as áreas da atividade humana, principalmente na política, em todos os seus níveis.

Mas tem os escândalos que dão ‘ibope’ e os que não dão audiência alguma, como é o caso daqueles que envolvem malversação do dinheiro público, por exemplo. Culpa da mídia e culpa da sociedade, também sequiosa por fatos deslumbrantes.

É inegável que o fato merecia notícia. Mas daí a ganhar a repercussão que alcançou é um disparate. Foi a notícia mais lida, vista e ouvida dos últimos dias e, provavelmente, dos últimos tempos.

De minha parte, acho que o fato, todo ele, nasceu da intolerância de que todos somos acometidos. E a mídia disso se aproveitou para transformar um episódio lamentável em escândalo nacional dos mais repercutidos nos últimos tempos.

O do mensalão, por exemplo, perdeu de ‘400 a zero’ (plagiando a Dilma) para o do vestidinho rosa.

Não agüento mais ver entrevistas de psicólogos, sociólogos, antropólogos e outros ‘logos’ nos programas jornalísticos das TVs, com ‘análises profundas’ sobre a conduta da moça, a dos seus colegas e a do estabelecimento comercial de ensino, que, aliás, nem merece ser chamado de universidade.

E por falar em universidade, lembrei-me de um escândalo muito mais danoso à sociedade que o da moça do vestido curto. A de Londrina - e todas as outras estaduais e federais Brasil adentro e afora - oferece moradia e bolsa moradia aos alunos, além de ensino gratuito, é claro.

Isso é que é escândalo, num país que não tem recursos para oferecer, no mínimo, um ensino básico aceitável às suas crianças.

E assim caminha a humanidade!

 

Gosto do Caetano.

Não gosto do Lula.


Por isso, fico com o Caetano. O que não significa dizer que vou apoiar a Marina.

Só acho que ele exagerou no ‘analfabeto’.

Pô, ‘o cara’ é semialfabetizado; tem curso do Senai e tudo; sabe ler e escrever. Só não gosta de exercitar as duas coisas; prefere vociferar besteiras.

Aliás, nisso ele é imbatível, como Caetano o é, compondo e cantando, claro, porque falando também diz besteiras.

Assim como este blogueiro, mestre em escrever asneiras e imbecilidades. Só não tenho, claro, a visibilidade de ambos.

O mais curioso do qüiproquó armado a partir das declarações do compositor baiano é que agora querem interpretar o que quer dizer ‘analfabeto’. Ou, o que Caetano quis dizer com ‘analfabeto’.

Ora, ‘analfabeto’ é analfabeto. E ponto.

Mas acho que estão tentando criar uma espécie de neoanalfabeto a partir das declarações de Caetano.

Já temos no país, aos milhões, os chamados analfabetos funcionais, aqueles que aprenderam a ler e a escrever, porém não sabem interpretar o que estão lendo ou escrevendo.

Talvez a chave da questão esteja aí. O ‘analfabeto’ pronunciado por Caetano talvez queira dizer ‘esperto’. Porque ‘o cara’ é esperto como ninguém.

Mas também não tenho certeza, porque, no caso, a tese envolve questões filosóficas e sócio-antropológicas, áreas em que não costumo me dar bem.

Então, deixo para o leitor a tarefa de interpretar o que quis dizer Caetano ao chamar Lula de analfabeto.

Aquele que alcançar a interpretação mais fiel ganha um pirulito de jiló com baba de quiabo.

 

Caro leitor,

infelizmente, meu provedor de acesso à internet tem-me desprovido do serviço que se propõe a prestar.

E, assim, obviamente, não tenho escrito aqui com a frequência que gostaria.

Talvez, quem sabe, alguns de meus poucos leitores estejam até gostando da ausência involuntária das postagens.

Possivelmente, até meu próprio provedor esteja me boicotando, atitude na qual, aliás, não acredito.

Enfim, pretendo retornar assim que o provedor possiibilitar-me o acesso.

Até lá. 

Marginais pedem

na TV que governo

reforce a polícia

 

 

Cada vez fico mais abestalhado com o que vejo, ouço ou leio por aí. A coisa anda ficando esquisita mesmo. É só observar bem o cotidiano.

Escrevi dias atrás que os milionários alemães pedem ao governo que lhes cobre mais impostos. Li isso em algum jornal online.

Agora, vejo na TV os nossos marginais pedindo que o governo reforce o contingente policial e equipe melhor a polícia.

Dá para entender?

Você que vê a TV aberta com certa frequência, preste atenção no que anda rolando na programação e vai constatar o que estou dizendo.

E não é qualquer marginalzinho não. É peixe grande.  

 

+ + +

 

To falando faz tempo que neste país um dia não muito distante, vamos ter mais prisões do que escolas. E ninguém acredita!

É no que dá combater os sintomas e não as causas.

 

+ + +

 

O governo Lula veicula campanha publicitária, na TV, enaltecendo os ‘altos investimentos’ que tem feito na recuperação da malha rodoviária federal. Já pesquisa da confederação dos transportadores, divulgada esta semana, revela que 70% das rodovias do país têm problemas de pavimentação, sinalização ou traçado.

E você, acredita em quem?

 

+ + +

 

Tenho acompanhado pelos jornais um encalacrado debate entre ‘personalidades’ do meio econômico-político sobre Estado máximo e Estado mínimo.

De minha parte, dispenso os dois. Prefiro o não-governo, pois estou com o saco cheio de ser oprimido e sacaneado, desrespeitado e roubado, injustiçado e massacrado.

O Estado não é, como dizem, um mal necessário. É um mal a ser combatido.

 

Ta bom! Ta bom! Chega de imbecilidades por hoje.

 

invadiram o meu blog

Desculpe meu caríssimo leitor!

Foi apenas um susto de um quase analfabeto digital.

Alemães ricos

pedem para pagar

mais impostos

 

Vejo na internet notícia tão inusitada quanto o fato que a gerou: milionários alemães estão pedindo ao governo daquele país que cobre mais impostos dos mais ricos. Ou seja: deles mesmos.

Em 56 anos de vida não me lembro de ter visto ou lido coisa igual.

Em petição ao governo, os magnatas alemães dizem que suas fortunas lhes proporcionam mais do que necessitam. E argumentam que a crise mundial gerou desemprego e desigualdade social, males que precisam ser combatidos.

Se necessitam ser combatidos na rica Alemanha, imagine então no Brasil, né!

Os abastados alemães revelam que uma taxação de 5% sobre as grandes fortunas do país arrecadaria 100 bilhões de Euros em dois anos, valor que beira os 300 bilhões de Reais.

Minha Nossa Senhora dos Cofres Públicos! Já imaginou o tamanho da farra se uma grana preta dessas caísse no colo dos nossos governantes?

Vamos imaginar, mas por partes:

1 – Os milionários brasileiros – devem ser mais que os alemães – jamais tomariam tal atitude;

2 – Se tomassem, boa parte da grana – to sendo generoso, hem! – escoaria pelos ralos da incompetência e da corrupção.

Melhor ficar como está. Não concorda?

 

 

 

“Quem quer que seja que ponha as mãos sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo”.

Faço minhas as palavras de Proudhon. Até porque, para quem ainda não sabia, sou um anarquista, um ser completamente contrário à autoridade.

E para quem ainda não sabe, o anarquismo é a teoria que prega uma sociedade sem governo, na qual se vive em harmonia, não por submissão à lei, nem por obediência à autoridade, mas por acordos livres estabelecidos entre os diferentes grupos de homens e mulheres, livremente constituídos por território ou profissão, para a produção, o consumo e para a satisfação da infinita variedade de necessidades e aspirações de um ser civilizado.

É uma utopia? Hoje, talvez, muitos enxerguem assim a sociedade anárquica.

Mas, quem sabe, um dia o ser humano evolua para um estágio que permita à sociedade livrar-se do massacre do Estado, quer nos regimes democráticos ou socialistas. Ambos massacram seus governados, utilizando diferentes ideologias, porém com a mesma crueldade. E é justamente esse massacre que tem evidenciado a tendência cada vez mais forte das sociedades mundo afora ao não-governo.

Até daqui a pouco.

 

 

Só tenho medo

do medo de ter

medo do ridículo

(ou coisa parecida)

 

Vou revelar, agora, porque é que ando escrevendo sobre futebol nos últimos dias. Acontece que a coisa por aqui anda muito nebulosa, aqui mesmo em nuestra América, onde governantes ditatoriais se transformam em tiranos e tentam eternizar-se no poder. No Brasil não é diferente, não. Aqui nem oposição temos mais. Nem do Parlamento ou do Judiciário. Da sociedade, então, nem se fale. A coisa rola solta, mas tão solta que os desmandos têm sido encarados como normais, inclusive - e principalmente - pela chamada grande imprensa nacional. Esta flutua entre o equívoco e a complacência, superlotada que está de mídia oficial.

Então, escrever sobre o que? Sobre o nosso tiraninho marca barbante, campeão mundial de popularidade e mestre em cuspir bobagens de todos os tamanhos?

Escrevi ao tirano dia desses, através de e-mail dirigido ao Portal da Presidência. Respondeu-me, lógico, alguém que sabe escrever e, claro, pela cabeça dele. Não tinha qualquer expectativa ao escrever-lhe, nem tampouco esperava uma resposta. Mas ela veio, e com o mesmo teor de besteiras que já encheu os meus ouvidos, na linha do ‘nunca antes na história deste país’...

Ao receber a resposta dei-me conta do tamanho da besteira que fizera. Ora, escrever a alguém que não gosta de ler! Só mesmo um jumento da minha envergadura faria isso.

E faço aqui, publicamente, a devida mea culpa. Nem precisaria, eu sei, porque o meu inadvertido ato não gerou coisa alguma, muito menos a ira do tirano, meu objetivo com a impensada ação.

Que tolo sou!

Bom fim de semana pra você.

 

Matando cachorro a grito

Eliane Cantanhede
Folha de S. Paulo - 23/10/2009
 

 Segundo dados macroeconômicos do IBGE, o desemprego caiu e a renda cresceu, voltando aos patamares pré-crise.

Mas, segundo dados da realidade, colhidos pela Folha numa quilométrica fila de inscrição de concurso no Rio, a coisa é bem feia.
São 1.400 vagas para gari. Fora tíquete alimentação, vale-transporte e plano de saúde, o salário é de R$ 486,10. O suficiente para atrair 109.193 inscritos até ontem, dos quais 45 doutores, 22 mestres, 1.026 com nível superior completo e 3.180 incompleto.
Seria uma competição injusta com os que só têm até a quarta série do ensino fundamental -o mínimo exigido para a inscrição-, não fosse a inclusão de testes como flexões abdominais e corrida, literalmente mais suados e mais úteis que títulos e canudos para uma profissão tão sofrida quanto necessária. O risco é o sujeito ou a sujeita sair com a sensação de que estudou tanto, mas nem para gari serve.
Mal tiram a beca da formatura, a engenheira corre para um concurso de fiscal da Receita, o jornalista disputa qualquer vaga em qualquer repartição pública, o administrador de empresas aceita ser digitador no Itamaraty. Advogados caem às pencas de toda parte, até de táxis e quadros de portaria.
Na posse do ministro Samuel Pinheiro Guimarães (SAE), terça-feira, Lula encheu o peito para dizer que o ProUni colocou quase o mesmo número de estudantes que as universidades federais desde elas que existem. Mas para quê?
Há muito investimento a fazer em educação, inclusive no ensino público superior e no profissionalizante, e há dúvidas sobre essa multiplicação de vagas particulares.
Enche as burras de entidades privadas e tende a frustrar profissionais com diplomas inúteis na parede da sala. Será que é assim que se melhora o IDH, a qualidade do emprego e a própria educação? PS: Ainda dá tempo. As inscrições para gari no Rio só terminam hoje.

COMENTÁRIO DO AUTOR DO BLOG:

Pode?

Pode. No Brasil, pode!

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