Gosto do Caetano.

Não gosto do Lula.


Por isso, fico com o Caetano. O que não significa dizer que vou apoiar a Marina.

Só acho que ele exagerou no ‘analfabeto’.

Pô, ‘o cara’ é semialfabetizado; tem curso do Senai e tudo; sabe ler e escrever. Só não gosta de exercitar as duas coisas; prefere vociferar besteiras.

Aliás, nisso ele é imbatível, como Caetano o é, compondo e cantando, claro, porque falando também diz besteiras.

Assim como este blogueiro, mestre em escrever asneiras e imbecilidades. Só não tenho, claro, a visibilidade de ambos.

O mais curioso do qüiproquó armado a partir das declarações do compositor baiano é que agora querem interpretar o que quer dizer ‘analfabeto’. Ou, o que Caetano quis dizer com ‘analfabeto’.

Ora, ‘analfabeto’ é analfabeto. E ponto.

Mas acho que estão tentando criar uma espécie de neoanalfabeto a partir das declarações de Caetano.

Já temos no país, aos milhões, os chamados analfabetos funcionais, aqueles que aprenderam a ler e a escrever, porém não sabem interpretar o que estão lendo ou escrevendo.

Talvez a chave da questão esteja aí. O ‘analfabeto’ pronunciado por Caetano talvez queira dizer ‘esperto’. Porque ‘o cara’ é esperto como ninguém.

Mas também não tenho certeza, porque, no caso, a tese envolve questões filosóficas e sócio-antropológicas, áreas em que não costumo me dar bem.

Então, deixo para o leitor a tarefa de interpretar o que quis dizer Caetano ao chamar Lula de analfabeto.

Aquele que alcançar a interpretação mais fiel ganha um pirulito de jiló com baba de quiabo.

 

Caro leitor,

infelizmente, meu provedor de acesso à internet tem-me desprovido do serviço que se propõe a prestar.

E, assim, obviamente, não tenho escrito aqui com a frequência que gostaria.

Talvez, quem sabe, alguns de meus poucos leitores estejam até gostando da ausência involuntária das postagens.

Possivelmente, até meu próprio provedor esteja me boicotando, atitude na qual, aliás, não acredito.

Enfim, pretendo retornar assim que o provedor possiibilitar-me o acesso.

Até lá. 

Marginais pedem

na TV que governo

reforce a polícia

 

 

Cada vez fico mais abestalhado com o que vejo, ouço ou leio por aí. A coisa anda ficando esquisita mesmo. É só observar bem o cotidiano.

Escrevi dias atrás que os milionários alemães pedem ao governo que lhes cobre mais impostos. Li isso em algum jornal online.

Agora, vejo na TV os nossos marginais pedindo que o governo reforce o contingente policial e equipe melhor a polícia.

Dá para entender?

Você que vê a TV aberta com certa frequência, preste atenção no que anda rolando na programação e vai constatar o que estou dizendo.

E não é qualquer marginalzinho não. É peixe grande.  

 

+ + +

 

To falando faz tempo que neste país um dia não muito distante, vamos ter mais prisões do que escolas. E ninguém acredita!

É no que dá combater os sintomas e não as causas.

 

+ + +

 

O governo Lula veicula campanha publicitária, na TV, enaltecendo os ‘altos investimentos’ que tem feito na recuperação da malha rodoviária federal. Já pesquisa da confederação dos transportadores, divulgada esta semana, revela que 70% das rodovias do país têm problemas de pavimentação, sinalização ou traçado.

E você, acredita em quem?

 

+ + +

 

Tenho acompanhado pelos jornais um encalacrado debate entre ‘personalidades’ do meio econômico-político sobre Estado máximo e Estado mínimo.

De minha parte, dispenso os dois. Prefiro o não-governo, pois estou com o saco cheio de ser oprimido e sacaneado, desrespeitado e roubado, injustiçado e massacrado.

O Estado não é, como dizem, um mal necessário. É um mal a ser combatido.

 

Ta bom! Ta bom! Chega de imbecilidades por hoje.

 

invadiram o meu blog

Desculpe meu caríssimo leitor!

Foi apenas um susto de um quase analfabeto digital.

Alemães ricos

pedem para pagar

mais impostos

 

Vejo na internet notícia tão inusitada quanto o fato que a gerou: milionários alemães estão pedindo ao governo daquele país que cobre mais impostos dos mais ricos. Ou seja: deles mesmos.

Em 56 anos de vida não me lembro de ter visto ou lido coisa igual.

Em petição ao governo, os magnatas alemães dizem que suas fortunas lhes proporcionam mais do que necessitam. E argumentam que a crise mundial gerou desemprego e desigualdade social, males que precisam ser combatidos.

Se necessitam ser combatidos na rica Alemanha, imagine então no Brasil, né!

Os abastados alemães revelam que uma taxação de 5% sobre as grandes fortunas do país arrecadaria 100 bilhões de Euros em dois anos, valor que beira os 300 bilhões de Reais.

Minha Nossa Senhora dos Cofres Públicos! Já imaginou o tamanho da farra se uma grana preta dessas caísse no colo dos nossos governantes?

Vamos imaginar, mas por partes:

1 – Os milionários brasileiros – devem ser mais que os alemães – jamais tomariam tal atitude;

2 – Se tomassem, boa parte da grana – to sendo generoso, hem! – escoaria pelos ralos da incompetência e da corrupção.

Melhor ficar como está. Não concorda?

 

 

 

“Quem quer que seja que ponha as mãos sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo”.

Faço minhas as palavras de Proudhon. Até porque, para quem ainda não sabia, sou um anarquista, um ser completamente contrário à autoridade.

E para quem ainda não sabe, o anarquismo é a teoria que prega uma sociedade sem governo, na qual se vive em harmonia, não por submissão à lei, nem por obediência à autoridade, mas por acordos livres estabelecidos entre os diferentes grupos de homens e mulheres, livremente constituídos por território ou profissão, para a produção, o consumo e para a satisfação da infinita variedade de necessidades e aspirações de um ser civilizado.

É uma utopia? Hoje, talvez, muitos enxerguem assim a sociedade anárquica.

Mas, quem sabe, um dia o ser humano evolua para um estágio que permita à sociedade livrar-se do massacre do Estado, quer nos regimes democráticos ou socialistas. Ambos massacram seus governados, utilizando diferentes ideologias, porém com a mesma crueldade. E é justamente esse massacre que tem evidenciado a tendência cada vez mais forte das sociedades mundo afora ao não-governo.

Até daqui a pouco.

 

 

Só tenho medo

do medo de ter

medo do ridículo

(ou coisa parecida)

 

Vou revelar, agora, porque é que ando escrevendo sobre futebol nos últimos dias. Acontece que a coisa por aqui anda muito nebulosa, aqui mesmo em nuestra América, onde governantes ditatoriais se transformam em tiranos e tentam eternizar-se no poder. No Brasil não é diferente, não. Aqui nem oposição temos mais. Nem do Parlamento ou do Judiciário. Da sociedade, então, nem se fale. A coisa rola solta, mas tão solta que os desmandos têm sido encarados como normais, inclusive - e principalmente - pela chamada grande imprensa nacional. Esta flutua entre o equívoco e a complacência, superlotada que está de mídia oficial.

Então, escrever sobre o que? Sobre o nosso tiraninho marca barbante, campeão mundial de popularidade e mestre em cuspir bobagens de todos os tamanhos?

Escrevi ao tirano dia desses, através de e-mail dirigido ao Portal da Presidência. Respondeu-me, lógico, alguém que sabe escrever e, claro, pela cabeça dele. Não tinha qualquer expectativa ao escrever-lhe, nem tampouco esperava uma resposta. Mas ela veio, e com o mesmo teor de besteiras que já encheu os meus ouvidos, na linha do ‘nunca antes na história deste país’...

Ao receber a resposta dei-me conta do tamanho da besteira que fizera. Ora, escrever a alguém que não gosta de ler! Só mesmo um jumento da minha envergadura faria isso.

E faço aqui, publicamente, a devida mea culpa. Nem precisaria, eu sei, porque o meu inadvertido ato não gerou coisa alguma, muito menos a ira do tirano, meu objetivo com a impensada ação.

Que tolo sou!

Bom fim de semana pra você.

 

Matando cachorro a grito

Eliane Cantanhede
Folha de S. Paulo - 23/10/2009
 

 Segundo dados macroeconômicos do IBGE, o desemprego caiu e a renda cresceu, voltando aos patamares pré-crise.

Mas, segundo dados da realidade, colhidos pela Folha numa quilométrica fila de inscrição de concurso no Rio, a coisa é bem feia.
São 1.400 vagas para gari. Fora tíquete alimentação, vale-transporte e plano de saúde, o salário é de R$ 486,10. O suficiente para atrair 109.193 inscritos até ontem, dos quais 45 doutores, 22 mestres, 1.026 com nível superior completo e 3.180 incompleto.
Seria uma competição injusta com os que só têm até a quarta série do ensino fundamental -o mínimo exigido para a inscrição-, não fosse a inclusão de testes como flexões abdominais e corrida, literalmente mais suados e mais úteis que títulos e canudos para uma profissão tão sofrida quanto necessária. O risco é o sujeito ou a sujeita sair com a sensação de que estudou tanto, mas nem para gari serve.
Mal tiram a beca da formatura, a engenheira corre para um concurso de fiscal da Receita, o jornalista disputa qualquer vaga em qualquer repartição pública, o administrador de empresas aceita ser digitador no Itamaraty. Advogados caem às pencas de toda parte, até de táxis e quadros de portaria.
Na posse do ministro Samuel Pinheiro Guimarães (SAE), terça-feira, Lula encheu o peito para dizer que o ProUni colocou quase o mesmo número de estudantes que as universidades federais desde elas que existem. Mas para quê?
Há muito investimento a fazer em educação, inclusive no ensino público superior e no profissionalizante, e há dúvidas sobre essa multiplicação de vagas particulares.
Enche as burras de entidades privadas e tende a frustrar profissionais com diplomas inúteis na parede da sala. Será que é assim que se melhora o IDH, a qualidade do emprego e a própria educação? PS: Ainda dá tempo. As inscrições para gari no Rio só terminam hoje.

COMENTÁRIO DO AUTOR DO BLOG:

Pode?

Pode. No Brasil, pode!

Disfarçado de Goiás,

líder Verdão leva

mais uma piaba

 

Como escrevi na coluna anterior (abaixo), o Brasileirão anda mesmo esquisito. Pois é! Na rodada de ontem à noite, de um jogo só, o Santo André do ‘vovô’ Marcelinho achou que estava diante do Goiás e tascou 2 a 0 no líder Verdão.

Tá vendo no que dá jogar disfarçado. Diante do Flamengo, no domingo, vestiu azul e se deu mal; voltou a vestir verde ontem e também tropeçou feio.

Minha sugestão ao time de Muricy é que misture as cores na próxima rodada, para, quem sabe, confundir ainda mais os adversários. Talvez verde na frente e azul atrás. Ou o contrário, não sei.

Como o líder é o alvo de todos os outros times do campeonato, é o adversário a ser batido, creio que a tática do disfarce não deve ser descartada pelo Palmeiras. E se o verde-azul não funcionar na próxima rodada, sugiro tentar o roxo na seguinte, depois o tricolor, o rubro-negro, o vermelho colorado, o verde-rosa da Mangueira e outras cores menos conhecidas.

Só não recomendo o preto e branco. Isso deixaria a ‘turma do amendoim’ enfurecida e disposta a cometer as piores atrocidades contra jogadores e dirigentes.

Três derrotas e um empate em quatro rodadas. Isso é que é dar mole para os adversários, quando já poderia estar com uma das mãos na taça a essa altura do campeonato.

Gente, cada vez entendo menos o futebol!  

 

Verdão joga

disfarçado de 'azulão',

mas adversário reconhece

 

Voltando a falar de futebol.

O Campeonato Brasileiro da temporada anda muito esquisito. Os times das pontas, de cima e de baixo, empacaram nas últimas rodadas. O Palmeiras, nem jogando disfarçado, consegue avançar. E só se mantém na liderança porque seus perseguidores diretos também estancaram na tabela.

O Verdão, time a ser batido, jogou disfarçado de ‘azulão’ na última rodada, na tentativa de confundir o adversário. Não adiantou. Comandado pelo velho ‘Pet’, o Flamengo reinou soberano em pleno Palestra, para desespero da ‘turma do amendoim’ e do técnico Muricy.

Apavorado com o retorno de ‘Jason’, o time do Morumbi anda tropeçando em seus próprios fantasmas, enquanto o Colorado dos pampas segue em zigue e zague. Já o ‘galo’ das Minas Gerais parece ioiô de elástico frouxo: nem sobe, nem desce.

A ascensão vertiginosa do Mengão nas últimas rodadas – já aparece em quinto – se deve muito mais à genialidade de um veterano do que ao comando do ‘imperador’ da Gávea.

Abaixo desses, um monte de cavalos paraguaios: Cruzeiro, Goiás, Grêmio, Corinthians e outros menos reconhecidos.

Na ponta inferior da tabela, o desespero é a tônica. Os times que lá estão ficam apenas trocando de posição a cada rodada, mas nada de sair da zona do rebaixamento. E olhe que só faltam oito rodadas para o fim da temporada.

Os dois paranaenses ainda não estão livres do fantasma de cair para a segunda divisão; os dois pernambucanos já colocaram um pé cada um na cova, enquanto o Fluminense já prepara o time para encarar a segundona. E o Botafogo que não seu cuide pra ver onde vai parar. Ou seja: o Rio olímpico corre o risco de ter dois dos grandes na divisão inferior ano que vem, já que o Vasco está voltando à primeira classe.

Surpresas, com certeza, não vamos ter daqui pra frente. O mais provável mesmo é que Muricy ganhe o seu quarto título brasileiro consecutivo. É só não inventar muito nas próximas rodadas, colocando em campo, por exemplo, um time com uniforme tricolor.

Que vença o melhor!

E que os piores amarguem a segundona.

Mas futebol, como dizia o filósofo, é uma caixinha de surpresas.

Então é seguinte: mantenha a caixinha fechada, certo!

 

Nova geração, velho futebol

 

Já disse que não gosto de escrever sobre futebol. Mas gosto de futebol e dos esportes em geral. Até de bolinha de gude. Então, de vez em quando, não custa mal traçar umas poucas linhas sobre o assunto, o que geralmente faço em tom de desabafo.

Hoje à tarde vi a decisão do Mundial sub-20, entre Brasil e Gana. E não vi nada diferente da Seleção do Dunga no selecionado jovem que atuou na partida final, vencida pelo país africano nos pênaltis.

E aí cheguei a uma conclusão: a de que todos os técnicos brasileiros são todos iguais, porque os times jogam todos da mesma maneira. O que difere um de outro é simplesmente a qualidade de alguns jogadores.

Por exemplo: a Seleção sub-20 que disputou a final com Gana joga igualzinho à de Dunga. Ou seja: pratica o mesmo futebol irritante de toquinhos para os lados. Para ficar idêntica, irmã gêmea da principal, faltou só o Gilberto Silva no meio dos garotos.

O Brasil dominou o jogo completamente durante os 120 minutos de bola rolando. Mas praticou aquele futebol que os analistas chamam de horizontal, onde os jogadores ficam trocando bola no meio de campo e não agride o adversário. Aliás, como faz com extrema competência a Seleção comandada pelo Dunga.

A sorte de Dunga é que seus comandados estão entre os melhores do mundo nas suas respectivas posições, à exceção de alguns cabeças de bagre que o técnico sempre convoca e põe pra jogar, como o Gilberto Silva e o Elano.

Cheguei a outra conclusão: até eu, com todo o meu cabedal futebolístico, alcançaria sucesso comandando a Seleção Brasileira. Ou você, meu preclaro leitor, porque não tem segredo algum.

É simples: os preparadores físicos deixam os caras em forma e você põe eles pra jogar. Como a maioria dos jogadores é competente no que faz, alguns até brilhantes, não dá outra, como tem acontecido na era Dunga ou como aconteceria qualquer que fosse o treinador.

Aliás, tenho uma opinião pouco ortodoxa sobre quem deveria ser o técnico da Seleção de futebol. Acho que o Bernardinho, do vôlei, deveria treinar a Canarinho. Como qualquer outro brasileiro, entende como ninguém de futebol, embora seja treinador de vôlei. O importante nele é que é um vencedor obstinado; tem a marca da vitória impressa na alma.

O único problema que vejo é Bernardinho fazer-se entender pelos jogadores. Com raríssimas exceções, eles não entendem nem o Dunga, que tem praticamente o mesmo nível da bolerada.

Mas, enfim, se eu pudesse indicar um técnico para a Seleção, o Bernardinho seria o escolhido.

Como não posso, vou continuar tolerando esse futebolzinho medíocre que nossos times e seleções têm praticado. Nos estádios não vou mais, nem que me paguem ingresso e bom cachê.

Prefiro sofrer na frente da TV. Pelo menos é mais confortável e posso até tomar uma cervejinha, né!

 

Psicologia barata

O meu EU anda me procurando

 

Perdi a capacidade de me decepcionar com as pessoas – as próximas, claro. Tenho procurado desenvolver outra capacidade: a de compreendê-las. Não é fácil, exige muita dedicação e um árduo exercício diário. E, óbvio, antes disso, preciso compreender a mim mesmo, entender minhas próprias emoções e sentimentos, notadamente aqueles que geram atitudes incompreensíveis.

Na verdade, isso tem sido resultado das sessões de psicanálise que tenho feito nos últimos meses e dos exercícios diários de serenidade a que tenho me submetido com o objetivo de me tornar um ser humano melhor. Aos 56 anos, descobri que nunca é tarde demais para buscar o que temos de melhor em nossos corações e mentes e oferecer em nossos relacionamentos sem exigir contrapartidas.

Não tem nada a ver com ser bonzinho, com agradar a todos os que nos cercam.

Tem a ver com uma nova (no meu caso, claro) filosofia de vida, baseada na compreensão das minhas muitas imperfeições e pouquíssimas virtudes, se é que tenho alguma. É mais ou menos como dedicar algum tempo olhando para dentro de mim mesmo, analisando as frustrações, os desencantos, as próprias decepções.  Possivelmente, tentando gostar um pouco mais de mim mesmo como ser humano imperfeito para gostar ainda mais dos meus semelhantes.

Aliás, as nossas imperfeições talvez sejam a nossa salvação. Talvez, mais ainda que nossas virtudes. É dela, da imperfeição, que surge a beleza de um ser humano em sua plena imprevisibilidade.

As virtudes, aliás, são meio que normatizadas. Nascem de conceitos de convívio social. São importantes, claro. Mas a imperfeição de que somos feito é o fato marcante. Cada um é cada um e pronto! Podemos até ter virtudes semelhantes, mas jamais seremos iguais.

É isso que encanta.

Não tenho feito nenhum estudo a respeito, nem tampouco grandes descobertas. Não é o meu ramo. Apenas me dedicado à reflexão sobre o que somos e para onde vamos. Ou, para ser mais específico: quem sou e para onde vou.

Para encerrar esse papo meio sem pé nem cabeça, cito uma frase do escritor e ensaísta francês Michel de Montaigne:

“Jamais dois homens julgaram igualmente a mesma coisa; é impossível verem-se duas opiniões exatamente iguais, não somente em homens diferentes, mas no mesmo homem em horas diferentes."

 

DESIGUALDADE ABISSAL

O martírio nosso de cada dia

 

A Síntese de Indicadores Sociais divulgada hoje pelo IBGE revela que metade das famílias brasileiras vivia, em 2008, com rendimento per capita inferior a R$ 415,00.

Nas primeiras informações divulgadas pelos jornais através da internet, ainda pela manhã, não constava um dado essencial: quantos milhões de brasileiros essa ‘metade das famílias’ representava. Certamente, bem mais da metade dos brasileiros.

Conforme a pesquisa do IBGE, 22,6% das famílias brasileiras tem rendimento familiar per capita de até meio salário mínimo. Ou seja: quase metade da metade das famílias tem renda ínfima, puramente de subsistência.

De acordo com o documento do IBGE, em 2008, o valor médio do rendimento familiar per capita era de R$ 720, o que, segundo próprio Instituto, revela uma distribuição de renda “bastante desigual” naquele ano.

Resumo da ópera: temos uma elite econômica soberba, uma ‘intelligentsia’ equivocada, uma classe média amorfa, uma classe política inescrupulosa... e uma abissal desigualdade para enfrentar qualquer dia desses, antes ou depois da Copa do Mundo; antes ou depois das Olimpíadas.

Ou, quem sabe, talvez, logo depois de 2010!

Bom fim de semana pra você. E, se puder, pense nisso.

 

IDH PÍFIO

Nosso atraso dói na alma

 

Sempre escrevo aqui que o Brasil é economicamente emergente - dizem até que é a 8ª economia do mundo -, porém socialmente doente.

O relatório da ONU sobre desenvolvimento humano, divulgado ontem, confirma a minha constatação. Somos o 75º país no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Perdemos feio para Chile, Argentina, Uruguai, Venezuela e até para Cuba (51º).

Estamos estagnados nesta posição há um bom tempo. E toda vez que é divulgado qualquer índice que mede desenvolvimento humano passamos vergonha diante do mundo. E diante de nós mesmos.

E por que, então, temos talvez o governante mais popular do mundo?

Não consigo compreender isso! E se alguém consegue, estou disposto a ouvir.

Talvez a realização da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, em 2016, venham nos redimir. Ou, talvez, desgraçar-nos de vez.

Como bem o disse o presidente Lula, talvez o governante mais popular do mundo, não somos um país de segunda classe.

Somos um país de 75ª classe!

PS: em 2003 o Brasil era 63º no ranking do IDH

 

Rio 2016: feliz, porém temeroso

 

Gente, confesso que fiquei entre a cruz e a espada, ontem, no momento do anúncio da cidade eleita para sediar as Olimpíadas de 2016. Fiquei feliz, porém temeroso. Feliz por termos batido cidades altamente desenvolvidas e também, claro, pelo fato de que, pela primeira vez, o continente vai sediar os Jogos Olímpicos, um continente ainda tido e havido como de terceiro mundo. A vitória foi deliciosa sob esse aspecto.

Mas fiquei temeroso, muito temeroso, porque vai rolar muita grana e, com certeza, boa parte vai escoar pelo ralo da corrupção. É isso que dói. Comemoro sim,  mas sem muita euforia e com uma ponta de desconfiança sobre o estrago que o feito poderá causar aos cofres públicos.

Espero, sinceramente, que saibamos tirar proveitos econômicos, sociais e esportivos da vitória de Copenhague. E que o Rio venha realmente a sofrer a transformação que todos desejam, em todos os aspectos. É bom para o Brasil.

 

‘Os velhinhos gastões’


Voltando ao tema de ontem, leio um artigo do economista Paulo Guedes, publicado recentemente na revista Exame, onde ele aborda a questão da previdência como um todo: a pública e a privada.

Uma das constatações do economista: o déficit de um aposentado público equivale ao de 30 trabalhadores privados. É mole!

Segundo ele, a falta de rigor técnico e a liberalidade excessiva da previdência pública; a multiplicidade de regimes e regras de acesso aos benefícios e o paradoxo de que algumas categorias ganham mais na inatividade do que na atividade, criaram um buraco negro que, por si só, exigiria tratamento prioritário de qualquer governo.

Guedes escreve que o valor da aposentadoria do servidor público não guarda nenhuma relação com sua vida pregressa e sua contribuição, pois no seu cálculo só entra o valor da última remuneração. E isso resulta num desastre para os cofres públicos e contribui decisivamente para a ampliação da desigualdade no país.

Senão vejamos: enquanto os trabalhadores da iniciativa privada recebem, em média, 1,7 salário mínimo de benefício, os servidores inativos da União ganham 13,3 salários mínimos. No Legislativo, a média corresponde a 30,4 salários mínimos e no Judiciário a 22,7 salários mínimos.

O economista conclui: “É evidente que o sistema ruiu, principalmente se já está financeiramente quebrado antes do envelhecimento de sua população”.

 

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