Brasil é 'monumento à desigualdade'
O Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – tornou-se instrumento de politicagem do lulo-petismo. Mas, de vez em quando, revela algo que se aproveite. É o caso do seu mais recente estudo onde demonstra que o país ainda é um ‘monumento à desigualdade’.
Nele, o Ipea descobre que o ricos brasileiros (1% da população do país) gastam em três dias o mesmo que os pobres em um ano. Ou seja: mais de 100 vezes mais.
O estudo é uma análise feita com base nos dados apresentados na semana passada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) relativa ao ano passado.
Na opinião do pesquisador do Ipea, Sergei Soares, o país precisa acelerar o processo de redução da desigualdade. “É necessário que façamos mais do que apenas olhar as coisas positivas que têm sido feitas. É indicado que o país atue de forma a melhorar o sistema educacional e a reduzir a informalidade”, disse.
O Ipea usa o chamado coeficiente Gini para medir a desigualdade. Ele varia de zero a um e quanto mais próximo de um for o coeficiente, menos justa é a distribuição da renda da sociedade. No Brasil o índice estava em 0,594 em 2001. No ano passado chegou a 0,544. Na média, a redução da desigualdade foi de 0,007 ao ano até o ano passado.
Foi o período mais favorável da economia brasileira, empurrada por um crescimento ímpar da economia internacional até eclodir a crise que afetou o mundo todo há um ano.
Não se sabe ainda o quanto essa crise afetou a pífia redução da desigualdade que estávamos experimentando. Mas no ritmo em que vinha, o país levaria pelo menos 20 anos para chegar a um patamar que poderia ser considerado justo, o que corresponderia a um índice de 0,40 no coeficiente Gini.
É difícil acreditar que chegaremos lá em duas décadas. A não ser que os próximos governantes passem a tratar a educação como o caminho para a superação do atraso.
Bom fim de semana.
A recessão e as mudanças climáticas
Bom dia e boa semana prá você!
Levanto meio a contragosto nesta segunda-feira chuvosa. Afinal, é tão gostoso esticar a soneca ouvindo a chuva bater na janela. Mas, com receio de ficar ainda mais preguiçoso do que já ando, pulo da cama depois de espreguiçar demoradamente e alongar alguns dos músculos que me incomodam durante o dia todo.
Após todo aquele ritual matinal que todos levamos a cabo ao sair da cama, me ponho na frente do computador para ler os jornais.
E não é que tem uma boa notícia!
A recessão global em que os especuladores nos meteram teve um efeito colateral tão inesperado quanto benigno: resultou na maior redução da emissão de gases-estufa em quatro décadas. A constatação é da Agência Internacional de Energia (AIE), órgão ligado à ONU.
Em estudo sobre o impacto da crise nas mudanças climáticas, a agência descobriu que as emissões de dióxido de carbono, a partir da queima de combustíveis fósseis, sofreu uma significativa queda neste ano – mais do que em qualquer período nos últimos 40.
Descobriu também que a desaceleração da produção industrial foi uma das responsáveis pela diminuição do gás carbônico. Mas outros fatores contribuíram para a comemorada queda, como a suspensão de projetos de usinas a carvão.
E daí? É pra comemorar ou chorar?
Pelo sim, pelo não, viva a recessão!
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