O martírio nosso de cada dia
A Síntese de Indicadores Sociais divulgada hoje pelo IBGE revela que metade das famílias brasileiras vivia, em 2008, com rendimento per capita inferior a R$ 415,00.
Nas primeiras informações divulgadas pelos jornais através da internet, ainda pela manhã, não constava um dado essencial: quantos milhões de brasileiros essa ‘metade das famílias’ representava. Certamente, bem mais da metade dos brasileiros.
Conforme a pesquisa do IBGE, 22,6% das famílias brasileiras tem rendimento familiar per capita de até meio salário mínimo. Ou seja: quase metade da metade das famílias tem renda ínfima, puramente de subsistência.
De acordo com o documento do IBGE, em 2008, o valor médio do rendimento familiar per capita era de R$ 720, o que, segundo próprio Instituto, revela uma distribuição de renda “bastante desigual” naquele ano.
Resumo da ópera: temos uma elite econômica soberba, uma ‘intelligentsia’ equivocada, uma classe média amorfa, uma classe política inescrupulosa... e uma abissal desigualdade para enfrentar qualquer dia desses, antes ou depois da Copa do Mundo; antes ou depois das Olimpíadas.
Ou, quem sabe, talvez, logo depois de 2010!
Bom fim de semana pra você. E, se puder, pense nisso.
Nosso atraso dói na alma
Sempre escrevo aqui que o Brasil é economicamente emergente - dizem até que é a 8ª economia do mundo -, porém socialmente doente.
O relatório da ONU sobre desenvolvimento humano, divulgado ontem, confirma a minha constatação. Somos o 75º país no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Perdemos feio para Chile, Argentina, Uruguai, Venezuela e até para Cuba (51º).
Estamos estagnados nesta posição há um bom tempo. E toda vez que é divulgado qualquer índice que mede desenvolvimento humano passamos vergonha diante do mundo. E diante de nós mesmos.
E por que, então, temos talvez o governante mais popular do mundo?
Não consigo compreender isso! E se alguém consegue, estou disposto a ouvir.
Talvez a realização da Copa do Mundo, em 2014, e das Olimpíadas, em 2016, venham nos redimir. Ou, talvez, desgraçar-nos de vez.
Como bem o disse o presidente Lula, talvez o governante mais popular do mundo, não somos um país de segunda classe.
Somos um país de 75ª classe!
PS: em 2003 o Brasil era 63º no ranking do IDH
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