Nova geração, velho futebol

 

Já disse que não gosto de escrever sobre futebol. Mas gosto de futebol e dos esportes em geral. Até de bolinha de gude. Então, de vez em quando, não custa mal traçar umas poucas linhas sobre o assunto, o que geralmente faço em tom de desabafo.

Hoje à tarde vi a decisão do Mundial sub-20, entre Brasil e Gana. E não vi nada diferente da Seleção do Dunga no selecionado jovem que atuou na partida final, vencida pelo país africano nos pênaltis.

E aí cheguei a uma conclusão: a de que todos os técnicos brasileiros são todos iguais, porque os times jogam todos da mesma maneira. O que difere um de outro é simplesmente a qualidade de alguns jogadores.

Por exemplo: a Seleção sub-20 que disputou a final com Gana joga igualzinho à de Dunga. Ou seja: pratica o mesmo futebol irritante de toquinhos para os lados. Para ficar idêntica, irmã gêmea da principal, faltou só o Gilberto Silva no meio dos garotos.

O Brasil dominou o jogo completamente durante os 120 minutos de bola rolando. Mas praticou aquele futebol que os analistas chamam de horizontal, onde os jogadores ficam trocando bola no meio de campo e não agride o adversário. Aliás, como faz com extrema competência a Seleção comandada pelo Dunga.

A sorte de Dunga é que seus comandados estão entre os melhores do mundo nas suas respectivas posições, à exceção de alguns cabeças de bagre que o técnico sempre convoca e põe pra jogar, como o Gilberto Silva e o Elano.

Cheguei a outra conclusão: até eu, com todo o meu cabedal futebolístico, alcançaria sucesso comandando a Seleção Brasileira. Ou você, meu preclaro leitor, porque não tem segredo algum.

É simples: os preparadores físicos deixam os caras em forma e você põe eles pra jogar. Como a maioria dos jogadores é competente no que faz, alguns até brilhantes, não dá outra, como tem acontecido na era Dunga ou como aconteceria qualquer que fosse o treinador.

Aliás, tenho uma opinião pouco ortodoxa sobre quem deveria ser o técnico da Seleção de futebol. Acho que o Bernardinho, do vôlei, deveria treinar a Canarinho. Como qualquer outro brasileiro, entende como ninguém de futebol, embora seja treinador de vôlei. O importante nele é que é um vencedor obstinado; tem a marca da vitória impressa na alma.

O único problema que vejo é Bernardinho fazer-se entender pelos jogadores. Com raríssimas exceções, eles não entendem nem o Dunga, que tem praticamente o mesmo nível da bolerada.

Mas, enfim, se eu pudesse indicar um técnico para a Seleção, o Bernardinho seria o escolhido.

Como não posso, vou continuar tolerando esse futebolzinho medíocre que nossos times e seleções têm praticado. Nos estádios não vou mais, nem que me paguem ingresso e bom cachê.

Prefiro sofrer na frente da TV. Pelo menos é mais confortável e posso até tomar uma cervejinha, né!

 

Psicologia barata

O meu EU anda me procurando

 

Perdi a capacidade de me decepcionar com as pessoas – as próximas, claro. Tenho procurado desenvolver outra capacidade: a de compreendê-las. Não é fácil, exige muita dedicação e um árduo exercício diário. E, óbvio, antes disso, preciso compreender a mim mesmo, entender minhas próprias emoções e sentimentos, notadamente aqueles que geram atitudes incompreensíveis.

Na verdade, isso tem sido resultado das sessões de psicanálise que tenho feito nos últimos meses e dos exercícios diários de serenidade a que tenho me submetido com o objetivo de me tornar um ser humano melhor. Aos 56 anos, descobri que nunca é tarde demais para buscar o que temos de melhor em nossos corações e mentes e oferecer em nossos relacionamentos sem exigir contrapartidas.

Não tem nada a ver com ser bonzinho, com agradar a todos os que nos cercam.

Tem a ver com uma nova (no meu caso, claro) filosofia de vida, baseada na compreensão das minhas muitas imperfeições e pouquíssimas virtudes, se é que tenho alguma. É mais ou menos como dedicar algum tempo olhando para dentro de mim mesmo, analisando as frustrações, os desencantos, as próprias decepções.  Possivelmente, tentando gostar um pouco mais de mim mesmo como ser humano imperfeito para gostar ainda mais dos meus semelhantes.

Aliás, as nossas imperfeições talvez sejam a nossa salvação. Talvez, mais ainda que nossas virtudes. É dela, da imperfeição, que surge a beleza de um ser humano em sua plena imprevisibilidade.

As virtudes, aliás, são meio que normatizadas. Nascem de conceitos de convívio social. São importantes, claro. Mas a imperfeição de que somos feito é o fato marcante. Cada um é cada um e pronto! Podemos até ter virtudes semelhantes, mas jamais seremos iguais.

É isso que encanta.

Não tenho feito nenhum estudo a respeito, nem tampouco grandes descobertas. Não é o meu ramo. Apenas me dedicado à reflexão sobre o que somos e para onde vamos. Ou, para ser mais específico: quem sou e para onde vou.

Para encerrar esse papo meio sem pé nem cabeça, cito uma frase do escritor e ensaísta francês Michel de Montaigne:

“Jamais dois homens julgaram igualmente a mesma coisa; é impossível verem-se duas opiniões exatamente iguais, não somente em homens diferentes, mas no mesmo homem em horas diferentes."

 

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