Alemães ricos
pedem para pagar
mais impostos
Vejo na internet notícia tão inusitada quanto o fato que a gerou: milionários alemães estão pedindo ao governo daquele país que cobre mais impostos dos mais ricos. Ou seja: deles mesmos.
Em 56 anos de vida não me lembro de ter visto ou lido coisa igual.
Em petição ao governo, os magnatas alemães dizem que suas fortunas lhes proporcionam mais do que necessitam. E argumentam que a crise mundial gerou desemprego e desigualdade social, males que precisam ser combatidos.
Se necessitam ser combatidos na rica Alemanha, imagine então no Brasil, né!
Os abastados alemães revelam que uma taxação de 5% sobre as grandes fortunas do país arrecadaria 100 bilhões de Euros em dois anos, valor que beira os 300 bilhões de Reais.
Minha Nossa Senhora dos Cofres Públicos! Já imaginou o tamanho da farra se uma grana preta dessas caísse no colo dos nossos governantes?
Vamos imaginar, mas por partes:
1 – Os milionários brasileiros – devem ser mais que os alemães – jamais tomariam tal atitude;
2 – Se tomassem, boa parte da grana – to sendo generoso, hem! – escoaria pelos ralos da incompetência e da corrupção.
Melhor ficar como está. Não concorda?
“Quem quer que seja que ponha as mãos sobre mim, para me governar, é um usurpador, um tirano. Eu o declaro meu inimigo”.
Faço minhas as palavras de Proudhon. Até porque, para quem ainda não sabia, sou um anarquista, um ser completamente contrário à autoridade.
E para quem ainda não sabe, o anarquismo é a teoria que prega uma sociedade sem governo, na qual se vive em harmonia, não por submissão à lei, nem por obediência à autoridade, mas por acordos livres estabelecidos entre os diferentes grupos de homens e mulheres, livremente constituídos por território ou profissão, para a produção, o consumo e para a satisfação da infinita variedade de necessidades e aspirações de um ser civilizado.
É uma utopia? Hoje, talvez, muitos enxerguem assim a sociedade anárquica.
Mas, quem sabe, um dia o ser humano evolua para um estágio que permita à sociedade livrar-se do massacre do Estado, quer nos regimes democráticos ou socialistas. Ambos massacram seus governados, utilizando diferentes ideologias, porém com a mesma crueldade. E é justamente esse massacre que tem evidenciado a tendência cada vez mais forte das sociedades mundo afora ao não-governo.
Até daqui a pouco.
Só tenho medo
do medo de ter
medo do ridículo
(ou coisa parecida)
Vou revelar, agora, porque é que ando escrevendo sobre futebol nos últimos dias. Acontece que a coisa por aqui anda muito nebulosa, aqui mesmo em nuestra América, onde governantes ditatoriais se transformam em tiranos e tentam eternizar-se no poder. No Brasil não é diferente, não. Aqui nem oposição temos mais. Nem do Parlamento ou do Judiciário. Da sociedade, então, nem se fale. A coisa rola solta, mas tão solta que os desmandos têm sido encarados como normais, inclusive - e principalmente - pela chamada grande imprensa nacional. Esta flutua entre o equívoco e a complacência, superlotada que está de mídia oficial.
Então, escrever sobre o que? Sobre o nosso tiraninho marca barbante, campeão mundial de popularidade e mestre em cuspir bobagens de todos os tamanhos?
Escrevi ao tirano dia desses, através de e-mail dirigido ao Portal da Presidência. Respondeu-me, lógico, alguém que sabe escrever e, claro, pela cabeça dele. Não tinha qualquer expectativa ao escrever-lhe, nem tampouco esperava uma resposta. Mas ela veio, e com o mesmo teor de besteiras que já encheu os meus ouvidos, na linha do ‘nunca antes na história deste país’...
Ao receber a resposta dei-me conta do tamanho da besteira que fizera. Ora, escrever a alguém que não gosta de ler! Só mesmo um jumento da minha envergadura faria isso.
E faço aqui, publicamente, a devida mea culpa. Nem precisaria, eu sei, porque o meu inadvertido ato não gerou coisa alguma, muito menos a ira do tirano, meu objetivo com a impensada ação.
Que tolo sou!
Bom fim de semana pra você.
| Eliane Cantanhede |
| Folha de S. Paulo - 23/10/2009 |
Segundo dados macroeconômicos do IBGE, o desemprego caiu e a renda cresceu, voltando aos patamares pré-crise. Mas, segundo dados da realidade, colhidos pela Folha numa quilométrica fila de inscrição de concurso no Rio, a coisa é bem feia. COMENTÁRIO DO AUTOR DO BLOG: Pode? Pode. No Brasil, pode! |
Disfarçado de Goiás,
líder Verdão leva
mais uma piaba
Como escrevi na coluna anterior (abaixo), o Brasileirão anda mesmo esquisito. Pois é! Na rodada de ontem à noite, de um jogo só, o Santo André do ‘vovô’ Marcelinho achou que estava diante do Goiás e tascou 2 a 0 no líder Verdão.
Tá vendo no que dá jogar disfarçado. Diante do Flamengo, no domingo, vestiu azul e se deu mal; voltou a vestir verde ontem e também tropeçou feio.
Minha sugestão ao time de Muricy é que misture as cores na próxima rodada, para, quem sabe, confundir ainda mais os adversários. Talvez verde na frente e azul atrás. Ou o contrário, não sei.
Como o líder é o alvo de todos os outros times do campeonato, é o adversário a ser batido, creio que a tática do disfarce não deve ser descartada pelo Palmeiras. E se o verde-azul não funcionar na próxima rodada, sugiro tentar o roxo na seguinte, depois o tricolor, o rubro-negro, o vermelho colorado, o verde-rosa da Mangueira e outras cores menos conhecidas.
Só não recomendo o preto e branco. Isso deixaria a ‘turma do amendoim’ enfurecida e disposta a cometer as piores atrocidades contra jogadores e dirigentes.
Três derrotas e um empate em quatro rodadas. Isso é que é dar mole para os adversários, quando já poderia estar com uma das mãos na taça a essa altura do campeonato.
Gente, cada vez entendo menos o futebol!
Verdão joga
disfarçado de 'azulão',
mas adversário reconhece
Voltando a falar de futebol.
O Campeonato Brasileiro da temporada anda muito esquisito. Os times das pontas, de cima e de baixo, empacaram nas últimas rodadas. O Palmeiras, nem jogando disfarçado, consegue avançar. E só se mantém na liderança porque seus perseguidores diretos também estancaram na tabela.
O Verdão, time a ser batido, jogou disfarçado de ‘azulão’ na última rodada, na tentativa de confundir o adversário. Não adiantou. Comandado pelo velho ‘Pet’, o Flamengo reinou soberano em pleno Palestra, para desespero da ‘turma do amendoim’ e do técnico Muricy.
Apavorado com o retorno de ‘Jason’, o time do Morumbi anda tropeçando em seus próprios fantasmas, enquanto o Colorado dos pampas segue em zigue e zague. Já o ‘galo’ das Minas Gerais parece ioiô de elástico frouxo: nem sobe, nem desce.
A ascensão vertiginosa do Mengão nas últimas rodadas – já aparece em quinto – se deve muito mais à genialidade de um veterano do que ao comando do ‘imperador’ da Gávea.
Abaixo desses, um monte de cavalos paraguaios: Cruzeiro, Goiás, Grêmio, Corinthians e outros menos reconhecidos.
Na ponta inferior da tabela, o desespero é a tônica. Os times que lá estão ficam apenas trocando de posição a cada rodada, mas nada de sair da zona do rebaixamento. E olhe que só faltam oito rodadas para o fim da temporada.
Os dois paranaenses ainda não estão livres do fantasma de cair para a segunda divisão; os dois pernambucanos já colocaram um pé cada um na cova, enquanto o Fluminense já prepara o time para encarar a segundona. E o Botafogo que não seu cuide pra ver onde vai parar. Ou seja: o Rio olímpico corre o risco de ter dois dos grandes na divisão inferior ano que vem, já que o Vasco está voltando à primeira classe.
Surpresas, com certeza, não vamos ter daqui pra frente. O mais provável mesmo é que Muricy ganhe o seu quarto título brasileiro consecutivo. É só não inventar muito nas próximas rodadas, colocando em campo, por exemplo, um time com uniforme tricolor.
Que vença o melhor!
E que os piores amarguem a segundona.
Mas futebol, como dizia o filósofo, é uma caixinha de surpresas.
Então é seguinte: mantenha a caixinha fechada, certo!
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